
Eu não classificaria a arte de fazer amigos como uma “aptidão”, mas é certo que algumas pessoas parecem ficar mais a vontade nessas situações. Na verdade, pra maioria de nós, fazer amigos quando somos crianças é bem fácil, não? Uma boneca, um sorriso envergonhado, quatro pés descalços e a intimidade chega rápido. Mas e quando a gente cresce e se vê num ambiente novo? Cheio de rostos desconhecidos e desconfiados? Pode parecer meio intimidador não é mesmo? Mas não é tão dificil assim.
Devo confessar que eu sou uma pessoa que fala pra caramba, que chega chegando e leva tudo no bom humor. Mas quando eu tenho espaço pra isso. Quando eu chego num ambiente completamente novo, meu comportamento imediato é: ouvir mais, falar menos. Eu gosto de observar o lugar onde estou, a personalidade das pessoas e tentar sentir o clima da galera. Fazer a Maria Vanúbia e chegar gritando pipipipi no morro do alemão definitivamente não é uma opção. Esse primeiro olhar vai te dizer muitas coisas, e você vai ter condições de perceber quem é mais receptivo, quem é mais fechado, quem se parece com você, e quem não deu a mínima pra sua chegada. Isso é muito importante!
Enquanto você observa nesse primeiro momento, é imprescindível usar a boa educação que seus pais te deram. Um sorriso no rosto, por favor e obrigada são mais que bem vindos. Se mostre prestativa, e mais que isso: interessada. Um ponto super importante aqui é não se passar ser por algo que não é. Nem tente. Não podemos passar uma primeira impressão duas vezes, e esse momento inicial/especulatório é a sua chance de conquistar novos amigos através da naturalidade e espontaneidade.
Isso me leva a uma questão indispensável: não force nada. Não segure a mão de quem não a estendeu, e nem ria muito alto com pessoas que falam baixo demais. Não tente se autoafirmar: você não precisa disso. Geralmente há alguem que se predispõe a tirar dúvidas, a te ajudar caso você tenha alguma dificuldade. Não menospreze essa pessoa, nunca. Você pode não vê-la como sua melhor amiga na face da terra, mas ela está se oferecendo pra ser seu porto seguro numa caminhada que você acabou de começar. Conheço poucas pessoas assim.
E se no seu caso não houver alguém assim? Sem desespero. Os primeiros dias podem parecer um pouco chatos e sozinhos, mas a cada dia você está mais dentro do que fora desse novo ambiente, concorda? Você vai conhecer mais de cada um, e criar mais segurança pra saber com quem pode puxar uma conversa fiada ou sentar ao lado numa aula mega chata. Essas são situações em que nossa iniciativa é decisiva.
Veja bem: eu não estou falando pra você puxar alguém pelo braço e contar sua vida em 15 minutos de conversa. Cada um tem seu tempo pra abrir seu espaço. Você se lembra como foi difícil abrir o seu?
Acima de tudo, aqui vai um conselho pra qualquer momento: esteja bem consigo mesma. Trate bem as pessoas. Se cuide, seja atenciosa. Não esqueça seu bom humor em casa. Ninguem quer fazer amizade com alguem de cara fechada que não para de resmungar -eu pelo menos não gostaria. As pessoas querem se aproximar das coisas que estão bem, parecem fazer bem. Aposte nas suas qualidades, se vista com coisas bonitas e fale sobre coisas que te interessam. Ouça o que as pessoas tem pra te falar e fale olhando nos olhos. Ao se olhar no espelho antes de sair de casa, conte cinco coisas que você gosta em você.
Eu não tenho intenção em passar alguma fórmula mágica pra criar amizades, mas sim tentar fazer com que vocês se sintam mais à vontade pra isso. É verdade, às vezes somos nós que temos que meter as caras, e quebrar a nossa timidez. Evite atropelos, controle a ansiedade. Se ainda assim você tiver problemas pra se comunicar, pra se entrosar, procure uma velha amiga, seu irmão ou seus pais. Existem casos em que o meio realmente é muito fechado, e o problema não está em nós. Converse, não guarde isso pra si. Coloque pra fora.
E caso você não sofra com esse tipo de problema, fica um pedido: ajude as pessoas novas que estão chegando. Você que é tão extrovertida e cheia de amigos não finja que não viu aquele garoto que come sozinho no intervalo. Acolher nunca é algo chato. Ignorar é. O mundo dá voltas.
O tema dessa texto foi sugestão de uma leitora. Se você também tem sugestão mande por comentário ou twitter @xavierluisa <3
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