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Hey girls! Me abracem, me beijem, me dêem as boas vindas, porque hoje é a minha estréia como colaborador aqui no RU. Yay! Pra quem não se lembra de mim, sou Matheus - o aspirante a ilustrador que fez o topo do blog todo melecado-. Bem, hoje trago um conto que escrevi com muito carinho pra vocês, espero que gostem!

Dois sorvetes. Um sabor morango e outro sabor chocolate. Eram essas as opções possíveis para Luana – uma garota que limitava todas as suas formas de escolha, simplesmente porque tinha medo de se abrir ao novo. Por não preferir, apontar e optar com propriedade, tornou-se costureira: ela está sempre disposta a costurar a personalidade alheia a sua.

Luana tem 22 anos, é blogueira, trabalha como balconista em boutique e canta em um bar nas noites de sexta-feira. Odeia os animais, mas tem três gatinhas: a Mimmy, a Zooey e Antônia. É viciada em Toddynho, mesmo sendo intolerante a lactose. Ama Nutella, pretende experimentar qualquer dia desses. Já estudou em Harvard e fez intercâmbio pela Europa, porém nunca tirou passaporte. Prefere apostar nas suas mentiras, porque acredita que elas são menos vulneráveis ao dedo indicador em relação as suas verdades.

Provou da felicidade extrema somente na infância, quando se permitia as coisas simples da vida. Mascava o mesmo chiclete durante dias, conservando-o na geladeira, se sentia incrivelmente foda quando abria antecipadamente a exata página do livro que a professora pedia, comia inocentemente os bolos que fazia com a lama, e tomava banhos de mangueira aos domingos, depois de saborear as comidas da avó. Podia ser o Jô, porque se a julgassem pelas gordurinhas, a importância rebatida seria incolor. Nos dias atuais, vive um constante conflito entre ser ou não ser. Mas ser o que afinal de contas? Ela mesma.

Luana costuma sofrer com as pressões decorrentes da sua falta de personalidade, principalmente em seu blog. Isso por inserir pensamentos de outras blogueiras nos textos que escreve. Volta e meia as suas leitoras garimpam frases não creditadas da Isabela Freitas por lá. Por esses motivos, é sempre questionada:

- Lu, porque você não credita as frases da Isa? – Pergunta uma leitora.

- Chuchu, eu adoro a Bebela Freitas, mais do que doce de leite! <3 – desvia Luana da pergunta com a maior cara de “toque-toque”.

Lembrando que, qualquer semelhança entre a escrita de Luana com o jeitinho Melina Souza de se comunicar, não é mera coincidência.

Foi em um sábado à noite, quando se arrumava para uma balada na casa de uma amiga, que Luana fez brotar mais uma das suas dúvidas toscas. Ela questiona sobre ir com o cadarço do seu Vans amarrado com um laço ou escondido por baixo da meia.

-Oh! Dúvida cruel. – Dramatizou Luana.

Ela caminhava em direção ao seu computador, desejando abraçar as referências que o Tumblr tem a oferecer. No meio do caminho ao perceber o quanto estava sendo ridícula, parou por um instante, calçou os tênis sem os cadarços e foi curtir a noite. A sórdida dúvida e a repentina atitude adquirida dariam início as mudanças.

Luana foi a pé para a festa que aconteceria há duas quadras de sua casa. No caminho, insatisfeita com os tênis sem os seus respectivos cadarços, não pestanejou para tira-los e continuar o percurso descalça. Quando chegou ao local, foi recepcionada com muitas piadas, revidou arremessando um dos tênis em uma aspirante a Tatá Werneck. A noite mal havia começado, aquela seria apenas uma prévia do que viria.

Depois das muitas doses de Jack Daniel’s que bebeu, Luana contemplava duas luas e não sei mais quantas milhares de estrelas. O karaokê seria a próxima parada. Mesmo com uma voz aguda e docinha, ela conseguiu arrancar aplausos cantando um rock pesado. Se bem que os aplausos vieram depois d0 strip teaser. Naquela noite couberam ainda mais alguns vexames. Luana fez a poser: dançou enlouquecidamente “Show das Poderosas” se dizendo fã da Anitta, brincou de passar o cartão com todos os rapazes da festa. Vomitou, pisoteou, sambou e cuspiu na cara da sociedade. Foi, viveu e sentiu tudo o que sempre quis. No final, ficou rasgando inutilmente um copo de plástico em várias tiras. Nascia o sol. Ela já podia voltar para casa.

Ao chegar em casa, tomou um banho frio para se “curar”. Depois, deu início a um longo período de reflexão. Buscou um porque para as tantas vezes que reprimiu o seu eu. Conclui que a sua família conservadora a prendia sem acorrentar. Ela queria voar, mas os pais a mantinham com os pés no chão. Ela queria ser feliz, mas para isso teria que contrariar os mesmos. E foi o que fez. Portou-se da Luana imoral (aos olhos dos politicamente corretos), insana, engraçada, retardada, sexy sem ser vulgar. Portou-se da Luana feliz e bobinha da infância, aquela que fazia do Tic Tac, uma cápsula de remédios. Finalmente aprendeu para nunca mais esquecer que, na vida, você deve ser você mesmo. A não ser que você possa ser um unicórnio. Nesse caso, seja sempre um unicórnio.