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Uma noite, você se viu encostada no balcão, com o drink na mão e olho na pista. Ninguém ali te interessava e tinha um cara nada a ver puxando assunto, sem perceber que você queria tudo, menos conversa. A única coisa que importava era a porta e o vulto dele chegando, vindo te encontrar, reparar que você comprou uma roupa nova só pra estar ali e que hidratou o cabelo.

Um dia você beijou um menino naquela balada enquanto tocava ting tings ou qualquer modinha da época. Vocês namoraram, pararam de ir pra balada porque se amavam demais pra sair da cama, começaram a se odiar porque sentiam falta da balada, terminaram pra poder ir pra balada e foram pra mesma balada onde tudo começou. Cada um em um dia. Ele ficou com alguém no estoque, você foi embora com saudade. Teve um outro dia que foi o contrario. Ele sentiu saudade quando cansou de fingir animação com todo mundo, só queria ver um filme e dormir abraçado com alguém. Você estava em outra pista, beijando um cara alto, e se perguntando se ele ia ser seu próximo romance.

Uma época você não quis mais ir pra balada, estava triste, não acreditava mais no amor. Achou até que ia ser assim pra sempre. Depois passou, você viu um flyer no Facebook, se perguntou se alguém que conhecia animava pra ir. Hidratou o cabelo de novo, colocou seu melhor modelo, enfrentou o frio, o sono, a fila e a ressaca que estava por vir. E você encostou no balcão de novo, dessa vez, não esperava ninguém na porta. Viu um cara gato na pista, viu ele de novo lá fora fumando, ele passou na sua frente mais uma vez. Você pensou que ficaria com ele. E ele te olhou de novo. Vocês ficaram. Casou na balada, sentou no sofázinho lá de cima, foi legal.

E aquele aniversário, você comemorou na boate. Todos os amigos, só alguns que faltaram e você até ficou triste, mas apareceram tantos que esqueceu. Tinha um cara que você queria muito que te ligasse e fosse pra lá, chegasse e te desse um beijo de cinema. Ele não te deu parabéns, mas você terminou a noite com um americano lindo, pena que ele beijava mal. E aí você foi em outras festas, algumas até na mesma balada, outros DJs, novos amigos. Gostou de um menino, ele tinha namorada. Ficou em duvida se pegava. E se você tivesse no lugar dela? Suas amigas encorajaram, seus amigos se fizeram de desentendidos. Você beijou o amigo dele, mas não era a mesma coisa.

E teve aquele seu amigo quase colorido. Ele te chamou pra ir lá, disse que a festa ia ser legal. Te deu uma cerveja na mão, te entendeu mais que o mundo inteiro, você ficou se perguntando se a amizade era tudo isso mesmo, será que não rolava estragar um pouco experimentando ficar com ele? Experimentou, foi bom, mas estranho no dia seguinte. Ele não te chamou mais pra sair com ele, ficou com medo de você cobrar algo a mais. E teve um que você pegou e que continuou tudo igual, nada mais aconteceu.

Teve também aquele amigo que te acompanhou em todas as pistas, todos os clubes, todos os hits da Britney. E o amor que você sentia por ele era maior do que o de um simples possível namorado, era amor de verdade, paixão de pista, porque ele te completava nos passinhos e entendia o que você queria dizer depois de cinco vodkas. Ele continuou sendo sua alma gêma.

Uma vez eu esperava o amor da minha vida do momento passar pela porta. Um baixinho barbudo chegou pra mim e disse: “tenta esquecer ele, linda”. Como é que ele sabia? Cheguei em casa e escrevi um texto romântico e cafona, que começava dizendo: as luzes da pista me lembram você. Infelizmente perdi essa obra prima. As mesmas luzes me lembraram outro, e depois outro. Depois um beijo, depois uma briga, depois uma paquera mal sucedida, depois uma volta secreta. As luzes me lembram todos os meus amigos, amores que nasceram em pistas ou que se reforçaram nelas, quando tocou aquela do Michael e nos abraçamos, decidindo ser o nosso hino dali pra frente.

A pista continua igual. A gente mudou. Mas ele vai estar sempre ali, o bom amor, amor que deu errado, o amor de uma noite, amorzinho de uma semana, namoro de um ano, 3 anos, o platônico que nunca nem chegou perto. Será que vou amar outro menino que passar na minha frente enquanto toca Pixies de novo? Se doer, se acabar, dê o seu tempo e volte lá. Ele pode estar de moletom cinza, quadriculado, vai se destacar na multidão, vai dançar de um jeito engraçado. Vai começar tudo de novo. Saia do balcão e vá dançar perto dele.

Esse texto foi escrito pela Jana Rosa <3 Me identifiquei absurdamente com a história! Acho que todo mundo da geração “Agora que sou rica” também passou por essa fase do amor de balada, hahaha. Espero que tenham gostado!