É incrível: é só a gente entrar na puberdade que nasce automaticamente o dever de se apaixonar por alguém. Com o tempo, a maioria das suas amigas já beijou 2 ou 3, algumas já namoram, sua família faz brincadeirinhas sem graça, seu irmão sente ciúmes do seu melhor amigo e você continua sentindo que não encontrou ninguém.Às vezes pode rolar aquele sentimento de “atraso” em relação às outras meninas, ou aquela dúvida de que tem algo errado com você. Em todas as novelas teens, os adolescentes estão trocando de amores de 4 a 5x por temporada, algumas engravidam e outros terminam felizes para sempre. Tudo isso faz parecer que o amor é encontrado em qualquer esquina, de forma fácil e rápida. E que, se você ainda não tem ninguém, o problema só pode ser você.

Eu não posso dizer que eu passei por isso, aliás, sofri pelo outro lado da moeda: eu fui uma criança facilmente apaixonável. Tive algumas dezenas de amores platônicos, intercalados com algumas amizades que realmente me confundiram. Algumas dessas paixonites passaram sem grandes estragos, mas umas poucas me fizeram sentir as tais das borboletas no estômago e me trouxeram alegrias da mesma forma que experiências e decepções…

Mas uma seleta parte das minhas amigas vivia preocupada com o fato de nunca ter sentido algo forte por alguém. Elas se sentiam completamente deslocadas quando chegávamos no tema de relacionamento. Algumas desencanavam, dizendo que realmente nunca tinham encontrado alguém interessante ou especial, que os meninos ao seu redor eram um bando de panacas e playboyzinhos imaturos. Mas algumas outras se encontravam visivelmente abaladas, e sentiam-se “ficando para trás”. Acredito que a coisa mais errada que se pode fazer quando isso acontece, é pensar obsessivamente sobre isso. “Por que nunca encontrei ninguém? O que estou fazendo de errado? Se eu sair essa noite será que o cara da minha vida pode estar lá? E as noites que eu fiquei em casa, será que eu perdi de encontrá-lo? E quando eu fizer 20 anos, será que já estarei com alguém?”.

Eu tenho uma crença meio boba, meio louca, de que o amor é um bichinho felpudo vermelho que foge dos desesperados. Ele curte a delícia da imprevisibilidade, então se você realmente corre atrás de um, desista. Ele quer chegar sem ninguém ver, numa noite em que você não dava nada pela balada, ou num dia que você vai pra padaria com a sua blusa furada. Você absolutamente não está cogitando o amor como possibilidade quando ele te surpreende e você não tem tempo de dizer não. Já foi, já é amor.

Era exatamente isso o que eu dizia pra aquelas amigas, e com o tempo e as próprias vivências elas caíram na real: perceberam que nunca teve nada de errado com elas. A maioria delas teve que sair com uns 27 carinhas, pra descobrir que o mais especial não estava nessa lista, e iria chegar do lugar mais improvável possível. As coisas vêm em tempos diferentes pra cada pessoa, e ficar se comparando com os outros não vai te fazer encontrar uma resposta. Não vá à caça, mas se deixe conquistar.